
Preço por metro quadrado: o que está e o que não está
Quem começa a pedir orçamentos para construir depara-se com dois números que não batem certo. Por um lado, o valor médio de construção que o Estado usa para calcular o IMI, fixado em 570 euros por metro quadrado para 2026. Por outro, propostas de construtores a falar de mil e muitos euros por metro quadrado. Nenhum dos dois está errado: é que não medem a mesma coisa. Vale a pena entender isso antes de comparar propostas, porque é aí que se percebe o que um preço por metro quadrado inclui de verdade.
Os 570 euros do IMI não são o custo de construir
O valor médio de construção por metro quadrado é fixado todos os anos por portaria, sob proposta da Comissão Nacional de Avaliação de Prédios Urbanos, e serve exclusivamente para a avaliação fiscal dos prédios urbanos, nos termos do artigo 39.º do Código do IMI. Para 2026 foi fixado em 570 euros por metro quadrado pela Portaria n.º 471/2025/1, de 26 de dezembro.
Esse número entra numa fórmula de avaliação, não numa fatura de empreitada. O próprio artigo 39.º manda somar-lhe 25 por cento desse valor a título do terreno de implantação, o que dá um valor base de 712,50 euros por metro quadrado, ao qual depois se aplicam coeficientes de localização, afetação, qualidade e vetustez. Serve para calcular imposto sobre o património. Não serve, nem pretende servir, para orçamentar obra.
Dizemos isto porque nos aparecem donos de obra convencidos de que construir custa 570 euros por metro quadrado e que quem pede mais está a exagerar. Não é disso que se trata. São duas contas diferentes, feitas para fins diferentes.
O que um preço por metro quadrado costuma incluir
Quando apresentamos um valor por metro quadrado de construção nova, aquilo que ele cobre é a obra em si, desde a preparação do terreno até à casa pronta a habitar. Na prática:
- Estaleiro e implantação, incluindo vedação, acessos, ligações provisórias de água e eletricidade, e a marcação da obra no terreno.
- Escavação e fundações, com o movimento de terras necessário e o betão armado das sapatas ou da laje de fundação.
- Estrutura, pilares, vigas e lajes em betão armado, com as armaduras e a cofragem.
- Alvenarias e cobertura, paredes exteriores e interiores, estrutura de cobertura, isolamento, impermeabilização e telha.
- Redes, tubagens de água e esgotos, eletricidade, telecomunicações e o que o projeto de especialidades previr.
- Acabamentos, rebocos, betonilhas, revestimentos, carpintarias, pinturas, louças e torneiras dentro da gama orçamentada.
- Limpeza e remoção de resíduos, com as guias de transporte a que a obra obriga.
É por isso que um orçamento a metro quadrado varia tanto de proposta para proposta. Não é a margem do construtor que oscila trinta por cento. É a gama de acabamentos, a espessura dos isolamentos, a marca das louças e a complexidade da estrutura.
O que quase nunca está incluído
Esta é a parte que estraga orçamentos familiares, porque são custos reais que aparecem depois e que muita gente não tinha contado. Nenhum destes é parte da empreitada de construção:
- O terreno e os custos da compra, incluindo IMT, imposto do selo e escritura.
- Os projetos, arquitetura e especialidades, e os honorários dos técnicos, incluindo a direção técnica da obra e a coordenação de segurança.
- As taxas municipais de licenciamento e de utilização, que variam de câmara para câmara.
- As ligações definitivas às redes públicas, água, saneamento, eletricidade e gás, pagas às concessionárias.
- Arranjos exteriores, muros, portões, pavimentos exteriores, jardim e piscina, que se orçamentam à parte porque variam enormemente.
- Cozinha equipada, roupeiros e mobiliário fixo, quando não vão explicitamente descritos na proposta.
- Revisões de preço, se o contrato as previr, e trabalhos a mais decorrentes de alterações pedidas em obra.
Um orçamento honesto diz isto por escrito, na parte das exclusões. Quando uma proposta não tem essa lista, não é porque inclua tudo: é porque a conversa sobre o que falta foi adiada para quando a obra já estiver a andar.
Porque é que os preços têm subido
Não é impressão de quem pede orçamentos. Os índices de custos de construção de habitação nova publicados pelo Instituto Nacional de Estatística mostram subidas continuadas, com a mão de obra a pesar mais do que os materiais nessa evolução. Para quem constrói, isto tem duas consequências práticas.
A primeira é que orçamentos com meses de validade longa deixaram de ser realistas, e por isso se vê cada vez mais propostas com prazo de validade curto ou com cláusula de revisão. A segunda é que a diferença entre construtores deixou de estar sobretudo no material e passou a estar na equipa: quem tem equipa própria consegue planear e cumprir, quem depende de subempreiteiros disputa disponibilidade com todos os outros.
Como comparar duas propostas sem se enganar
A regra é simples e poupa muito dinheiro: não compare totais, compare conteúdos. Em concreto, o que pedimos sempre a quem está a avaliar propostas:
- Peça a todos a mesma lista de trabalhos. Se cada um orçamentar o que entende, os números não são comparáveis.
- Exija a lista de exclusões. É ela que revela o preço real.
- Veja as gamas escritas. "Cerâmica de primeira qualidade" não quer dizer nada. Um intervalo de preço por metro quadrado de material, sim.
- Confirme o prazo e o que acontece se derrapar. Um prazo sem consequência contratual é uma intenção.
- Pergunte quem está em obra. Equipa própria ou subcontratada, e quem é o responsável único no estaleiro.
Na SABN levamos a obra do princípio ao fim com equipa própria, entre 16 e 20 pessoas, e com um só responsável no estaleiro do primeiro dia até à entrega. Quando orçamentamos, escrevemos o que está incluído e o que não está, porque é isso que evita discussões a meio da obra.
Se está a construir ou a reabilitar no Grande Porto e quer uma proposta que possa comparar linha a linha com outras, a visita ao local e o orçamento não têm custo. Ligue 960 231 360 ou fale connosco por sabnconstrucao.pt.
Fontes
- Portaria n.º 471/2025/1, de 26 de dezembro: valor médio de construção por m2 para 2026 (Diário da República)
- Texto da portaria em Diário da República, 1.ª série (PDF)
- Artigo 39.º do Código do IMI, valor base dos prédios edificados (Portal das Finanças)
- Índice de custos de construção de habitação nova (INE)
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